Mesa temática no Seminário de 10 anos da Rede reuniu Direitos humanos e meio ambiente

Por Méle Dornelas


Organizada pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), a mesa "Inovação, tecnologias e vulnerabilidades: fortalecer comunidades e a luta por justiça socioambiental" trouxe quatro iniciativas tecnológicas/plataformas que atuam com problemáticas ligadas ao campo socioambiental. Os projetos abordam soluções e caminhos para situações de marginalização, invisibilidade e risco a pessoas em situação de vulnerabilidade. O debate e as reflexões apontaram a sincronia entre os direitos humanos e a proteção ambiental, reafirmando que não há como pensar ações filantrópicas sem que essas duas vertentes dialoguem entre si.


Debate da mesa proposta pelo ISPN durante o Seminário de 10 anos da Rede


O “Tô no Mapa”, iniciativa do ISPN, da Rede Cerrado e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), em parceria com o Instituto Cerrados, foi um dos apresentados no Seminário. Ele disponibiliza um aplicativo para que povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares de todo Brasil, comumente invisibilizados dos mapas oficiais, façam o automaeamento de seus territórios. A iniciativa é estratégica para que esses grupos possam ser reconhecidos politicamente e também para garantir mais instrumentos de proteção territorial, já que esses espaços estão em constante ameaça e suscetíveis a situações de violência por conta das disputas de terras. Já são 162 comunidades automapeadas, mas estima-se que o número existente no Cerrado seja em torno de 3 mil. Para mais informações acesse o site: https://tonomapa.org.br/


Ainda dentro da pauta socioambiental, o programa Suindara (Sistema de Alerta de Queimadas e Desmatamento), do Instituto Cerrados (IC), foi mais uma iniciativa exposta durante a mesa. O aplicativo envia alertas de fogo e desmatamento para smartphones de gestores, comunitários e brigadistas, indicando em um mapa interativo o local do alerta e as informações necessárias para a ação de combate ou prevenção. Ele visa contribuir com a meta do IC que quer proteger um milhão de hectares de Cerrado até 2050. O Suindara desponta como um importante instrumento para proteger o Cerrado e seus povos, constantemente ameaçados e invisibilizados nas políticas ambientais. Saiba mais: https://cerrados.org/suindara_alert


Outra iniciativa apresentada foi o Banco Comunitário ICOM, que nasceu dentro da Linha de Apoio Emergencial Coronavírus, com o objetivo de garantir acesso a alimentos, produtos de higiene e de limpeza a pessoas em situação de vulnerabilidade social, propiciando, assim, autonomia a essas populações. As famílias cadastradas recebem parcelas mensais de moedas sociais, por meio de um aplicativo, que podem ser utilizadas nos pequenos comércios dos bairros em que moram. Já foram 1.335 famílias que receberam a moeda social na cidade de Florianópolis. Para saber mais, acesse: http://coronavirus.icomfloripa.org.br/


Encerrando a mesa temática, o “Tamo de Olho” demonstrou como a tecnologia pode cruzar dados ambientais, territoriais e sociais para identificar casos emblemáticos de desmatamentos e violações de direitos de povos e comunidades tradicionais. Desenvolvido pelo ISPN, WWF Brasil, Rede Cerrado, Instituto Cerrado e IPAM, a iniciativa, após identificar esses casos, estabelece estratégias de incidência jurídico-política junto aos órgãos públicos e sistema de justiça para a proteção dos direitos socioambientais e o fortalecimento das comunidades afetadas. Com forte atuação no MATOPIBA (sigla para identificar as regiões de Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o Tamo de Olho também estabelece diálogos com a comunidade internacional, visando chamar a atenção desses atores sobre a urgência de outros países exigirem e contribuírem com políticas para a conservação ambiental e os direitos das populações do campo no Brasil.


“A mesa foi uma importante oportunidade de trazermos para dentro da Rede os debates sobre as pautas que envolvem a proteção ambiental e territorial, especialmente sobre o segundo bioma mais ameaçado do Brasil: o Cerrado. São diversas as comunidades que se encontram em situações de vulnerabilidade, seja pela diminuição de suas áreas produtivas devido ao desmatamento acelerado, seja pelas violências e ameaças que as perseguem, principalmente, em situações de grilagem. Direitos humanos e meio ambiente estão ligados, e as ações de apoio que fazemos são, justamente, para que essas desigualdades históricas sejam reparadas ao lado da sustentabilidade dos nossos recursos naturais”, comenta a coordenadora do Programa Cerrado e Caatinga do ISPN, Isabel Figueiredo.


 

Méle Dornelas é assessora de comunicação do Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), formada em comunicação com habilitação em publicidade e propaganda pela UFPE e especialista em comunicação pela UFBA.


Imagens corpo do texto: Apresentação da mesa ISPN durante Seminário de 10 anos da Rede - Fotos: Zoid Creative.

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