Investindo em pessoas que transformam realidades


Por Diane Pereira Sousa



A Baixada Maranhense é uma região que fica ao norte do Maranhão. Um território importante para as estruturas de desenvolvimento do estado. Quem nasce ou vive nessa região é chamado de Baixadeiro. Esse reconhecimento identitário começou em 2003, com um movimento chamado CIP Jovem Cidadão, um conjunto integrado de projetos desenvolvimento pelo Formacao - Centro de Apoio à Educação Básica em 10 cidades (Arari, Cajari,Penalva, Matinha, Olinda Nova, São João Batista, São Vicente Ferrer, São Bento, Palmeirândia, Peri Mirim).


A Fundação Comunitária Baixada Maranhense nasce a partir do CIP Jovem Cidadão. Após 10 anos de intensos trabalho naquela região, um grupo de baixadeiros reuniram-se para discutir como seriam os próximos anos da região, naquele momento havia um entendimento, não podemos retroceder, precisamos continuar aquecendo o cotidiano da Baixada Maranhense com arte, esporte, comunicação, agroecologia, apoiando ideias e projetos, democratizando o acesso, construindo justiça social.


Uma das primeiras estratégicas da Fundação Comunitária foi criar uma campanha chamada `Quem tem amor pela Baixada é Embaixadeiro`. Ou seja, todo mundo que apoiava o desenvolvimento daquela região era considerado Embaixadeiro. EMBAIXADEIRO era um Baixadeiro Embaixador. Foi desenhada duas formas de contribuir com o território. A primeira Embaixadeiro Voluntário, eram pessoas que apoiaram com habilidades, por exemplo, um especialista em marketing, uma consultora jurídica, um professor. A segunda Embaixadeiro Doador, eram as pessoas que apoiavam financeiramente, faziam uma doação de um determinado valor.


Em 2022 com apoio da Rede de Filantropia para Justiça Social, estamos transformando essa estratégia em metodologia. Agora o Embaixadeiro possui um novo elemento, a Baixada Produtiva. É através dela que mapeamos pessoas que possuem ideias, projetos e negócios com alto potencial, e conectamos a elas o Embaixadeiro Doador e o Voluntário. Para que o território se desenvolva é necessário investir em pessoas.


Hoje a Baixada Maranhense é cheia de Baixadeiros Embaixadores, Jailson Mendes em São João Batista, Francilda Fonseca em São Vicente de Ferrer, Samara Volpony em Arari, Roselia Oliveira em São Bento.


Eu e Regina Cabral, costumamos dizer que quando pensamos na Filantropia Comunitária nos vem um rio e tudo que se movimenta a partir dele. As pessoas pescam, plantam, navegam. Quem vive perto do Rio sabe o que é preciso ser feito para que a pesca, o plantio e a navegação sejam produtivas.


A Filantropia Comunitária acontece quando a canoa que está sendo utilizada já não é mais suficiente e para isso é necessário pensar em várias outras canoas que somam rumo à sustentabilidade e ao bem viver. Em várias canoas, mais pessoas, de diferentes perfis e com variados sonhos podem pescar, para outras mais serem alimentadas. Canoas em redes são melhores que barcos com único condutor. Elas geram renda em escala e desenvolvimento inclusivo.


A comunidade sabe o que é preciso fazer, tem em seu cotidiano a criatividade, as estratégias e a conexão, mas para chegar do outro lado do rio com mais pessoas é preciso as canoas conectadas da filantropia.


Eu gosto de pensar também no mar. O mar que conecta todos os continentes. O mar chega ao rio e o rio vai até o mar. O mar representa os grandes fundos. No rio estão os fundos comunitários. Parte dele vem do mar. Quando eu piso na água do mar, sinto-me conectada com quem pisou na mesma água que se movimenta lá, muito longe. E o mais lindo, eu e a outra pessoa, somamos forças para ajudar as canoas dos rios.



 

Diane Pereira Sousa é maranhense da Baixada Maranhense. Bacharela em Direito. Mestra em Direitos Humanos, Interculturalidade e Desenvolvimento. Professora. Consultora Jurídica. Fellow Ashoka. Curadora UOL- ECOA 2021. Presidenta da Fundação Comunitária Baixada. Sócia Diretora do Instituto Formação. Teve uma de suas tecnologias sociais indicadas para concorrer como uma das 100 melhores do mundo pela Hundred. Estuda e pesquisa cotidianos, modelos de educação alternativa e juventude. É sócia da FLG (Footbal Learning Global), rede que conecta jovens, escolas e organizações de 10 países em 5 continentes. Uma de suas especialidades em eventos nacionais e internacionais são as pontes poéticas(mediações) articulando sonhos e realidade.


Coordenou o livro “Você pode escutar minha Voz?”. Escreveu e coordenou a apostila “Direitos Humanos e Protagonismo Estudantil” pela Flacso. É coautora do livro “Sobre Nossas Avós – memória, resistência e ancestralidade”. Escreveu e coordenou os manuais Esportes Educativos para a cidadania e o desenvolvimento social. Escreveu e coordenou a sistematização Futebol 3 para crianças. Escreveu e coordenou o livro Futebol 3 - História do uso dessa metodologia no Brasil.

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