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Diálogo: Filantropia, cultura de doação e a minha comunidade

Atualizado: 15 de dez. de 2022

Por Cléber Rodrigues



Estava no passeio de casa um dia desses e um vizinho descendo a rua me acenou e disse:


— Ei meu bom, bom dia. Vi umas fotos suas no Instagram. Você tava igual patrão hein! Mas não entendi nada do que estava escrito na legenda.


Eu lancei a ele um sorriso, brinquei com o moleque que atento escutava seu pai, e falei.


— Ô meu amigo aquele era o seminário da Rede Filantropia para Justiça Social...


Ele me interrompeu a frase e com cara de interrogação e disse:


— Filamp... O quê?


Caímos na gargalhada e logo após iniciamos um longo e prazeroso diálogo que me pareceu um processo eficaz de transmissão de conhecimento, o que eu chamo de educação popular. Foi o momento de explicar para ele sobre filantropia como conceito e tudo aquilo que estava tendo a oportunidade de aprender como bolsista de uma importante rede filantrópica e ainda como tudo isso tem a ver com comunidades como a nossa. Expliquei que filantropia era muito mais que caridade e estava relacionada com defesa dos valores democráticos, com a promoção da justiça social, transparências, horizontalidade e, portanto inclusão. Foi um importante momento de reflexão.


Falei sobre o belíssimo trabalho que a Rede Comuá da qual sou bolsistas, e outras redes fazem, de apostar em projetos, comunidades e determinados segmentos que se unem para tentar diminuir as pontes e as diferenças sociais. Ele complementou exemplificando o que eu havia dito:


Tipo o coletivo de hip-hop do bairro que recebe recursos de um fundo para implementar projetos com os adolescentes. Ao que eu amarrei o exemplo ao coletivo LGBT da cidade que segue essa mesma linha de atuação comunitária. Essa troca de saberes que ocorreu durante nosso bate papo, gerou importantes articulações. Percebemos que tínhamos muito a colaborar um com o outro. Aproveitei então para comentar sobre a importância da cultura de doação e como a confiança é um importante agente de transformação em territórios como o nosso, carentes de políticas públicas, mas com potencial de grande impacto social.


Percebi um sorriso no rosto e uma identificação com o tema o que elevou nossa prosa e os nossos sonhos. Estes caminharam juntos, rumo à retomada de um projeto antigo na ocupação, a Casa Colaborativa Mirants. Um espaço de empreendedorismo comunitário desenvolvido no território e pelos ocupantes do local. Partiu do meu vizinho, naquele domingo ensolarado pela manhã, uma diversidade de exemplos de projetos e ações transformadores que aconteciam na território como, cozinha solidária durante a pandemia, fisioterapia em grupo para idosos, horta comunitária e etc. O menino ao lado, com pouco mais de oito anos, exemplificou o que pra ele seria justiça social, "aulas de judô depois da escola". O pai completou a fala do garoto:


Se o projeto oferecer a merenda melhor ainda. Eu senti que não podia ficar de fora das contribuições e disparei com satisfação, grupo de idosos, quintal produtivo, cooperativa de mulheres, biblioteca comunitária...


Entre sorrisos e muitos sonhos percebemos que estávamos muito mais próximos do que a legenda que ele não entendeu.


Enquanto a conversa seguia para finalização meu vizinho me perguntou sobre a associação Nossa Cidade, outra referência citada na descrição da imagem, e qual a relação dela com as comunidades. Expliquei como tudo aquilo que tínhamos conversado se relacionava com o nosso próprio bairro, portanto um projeto Idealista e que só será possível realizar a partir das redes de filantropia e da cultura de doação, pilares importante dentro da Nossa Cidade que é uma comunidade de associados que semeiam juntos o dia em que todos viverão bem em comunidades abundantes em um planeta saudável. Expliquei que eu era um dos gestores e o meu papel dentro da instituição, que é o de trazer os associados cada vez mais próximos das comunidades e setores que estão nas pontas, geralmente com menos recursos. Percebi que meu vizinho a amigo estava contemplado com a explicação. Nos despedimos e ele seguiu viagem junto ao filho.


Equipe da Associação Nossa Cidade. Foto: Cléber Rodrigues, bolsista da Rede Comuá.



Entre prosas, afetos e idealismo pontes foram construídas, redes tecidas e um universo de possibilidades cocriado.


 

Cléber Rodrigues, 38 anos, casado, idealista, ativista social e mobilizador de boas ações e práticas saudáveis voltada para saúde da população idosa em Minas Gerais. Estudante de escola pública, bolsista do programa Prouni formado em Fisioterapia com especialização em Gerontologia. Gestor em Saúde pelo Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, bolsista do programa Saberes da Rede Comuá, e um apaixonado pelo estudo do envelhecimento saudável. Empreendedor Social na Casa Colaborativa Mirants.

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