Canto da Coruja Comunidade: informação pela justiça social


Programa de áudio leva informações relacionadas à pandemia da Covid-19 a povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares de todo Brasil.



Por Méle Dornelas - Assessoria de Comunicação do ISPN



Uma experiência que conta como agricultores familiares no interior de Minas Gerais conseguiram continuar gerando renda e, ao mesmo tempo, garantir alimentação de qualidade para famílias em situações de maior vulnerabilidade durante a pandemia da Covid-19 é uma das histórias que podem ser escutadas no Canto da Coruja Comunidade.


Programa de áudio semanal, esta iniciativa é voltada, principalmente, a povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares de todo Brasil. Na programação, são abordadas orientações sanitárias para a prevenção da Covid-19, compartilhamento de experiências e estratégias para as comunidades conseguirem gerar renda em meio à crise, além de esclarecimentos sobre propostas políticas que contemplem a segurança das populações tradicionais.


“Essa é uma ferramenta de comunicação muito importante para dar visibilidade à pauta dos povos e das comunidades. Fomentar a informação e inspirar com experiências é essencial para pensarmos a proteção desses grupos”, conta Dionete Figueiredo, gestora da Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base em Economia Solidária (COPABASE), organização da sociedade civil que apoia os agricultores de Minas Gerais.


São entrevistados colaboradores do ISPN, pesquisadores e, principalmente, representantes dos povos e das comunidades tradicionais e dos agricultores familiares. Isso garante pluralidade nas informações para a formação política e social. Amplifica-se também as vozes dos povos, construindo uma perspectiva de comunicação feita para e com esses grupos.


O Canto da Coruja Comunidade é desenvolvido pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) com apoio da Rede de Filantropia para a Justiça Social (RFJS). Os programetes, de três minutos cada, circulam pelo Whatsapp, rádios comunitárias e mídias sociais da organização e parceiros. São essas plataformas que conseguem dialogar melhor com as populações, além de possuírem maior potencial para disseminar o Canto, fortalecendo a democratização do acesso à informação.


O contexto para o Canto da Coruja Comunidade acontecer não poderia ser outro: em 2020, o planeta se deparou com a maior crise sanitária do século XXI. O descobrimento e a rápida disseminação do novo coronavírus já comprometeu milhares de pessoas em diversos países. E aquelas em maiores situações de vulnerabilidade, com menos acesso a materiais de saúde, água e, inclusive, orientações e informações, são as mais impactadas.


No Brasil, encontramos muitos desses grupos no meio rural. São quilombolas, indígenas, pescadores artesanais e diversos outros povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares que, além de enfrentarem a pandemia da Covid-19, ainda vivem um momento político complexo para suas realidades. E é justamente a eles que o Canto quer chegar.


Segundo estudo feito pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a média de mortalidade por Covid-19 entre indígenas é 150% maior do que a média nacional. Já entre os quilombolas, a chance de uma pessoa pertencente a uma destas comunidades morrer pela doença é quatro vezes maior do que uma pessoa branca e urbana, segundo a Fiocruz.


Diante deste contexto complexo, fica evidente a importância de se investir e apoiar processos que priorizem a transformação social, o fortalecimento da proteção e garantia de direitos e a própria democracia. É um período quando surgem, então, oportunidades para fortalecer e ampliar, por exemplo, a filantropia para a justiça social.


“É neste momento que percebemos a importância, por exemplo, da RFJS, que conseguiu dar uma resposta rápida às necessidades dos povos na forma de projetos de apoio emergencial à nutrição e saúde nas comunidades, e também no repasse de informações importantes para a superação deste desafio por elas, comenta Fábio Vaz, coordenador executivo do ISPN, que integra a RFJS.


Ao democratizar o acesso à informação, o Canto da Coruja Comunidade subsidia as comunidades para a ação política e a luta por direitos, apoiando, ainda, o fortalecimento das articulações e organizações comunitárias.


A pandemia da Covid-19 veio como um terremoto. No entanto, há quem esteja no movimento político, social e filantrópico para a superação deste momento, com investimento em ações e iniciativas que garantam cada vez mais o acesso a direitos. E quanto mais pessoas com direitos garantidos, mais próximos estaremos de uma sociedade com equidade e justiça social. Façamos o Canto da Coruja ecoar para que os povos, assim, tenham o direito a sobrevoar o terremoto.



Escute o Canto da Coruja Comunidade


Acesse as edições já lançadas aqui: https://ispn.org.br/canto-da-coruja-comunidade/


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